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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

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Os "amidos escondidos"...

O que são "amidos escondidos"?

Tudo aquilo que é amido ou um outro polissacarídeo mas está escrito com outro nome, como por exemplo: aroma de trigo.

Cuidado, portanto, com as palavras:

* açúcares: não especificam que tipo de açúcar. Pode ser monossacarídeo mas também pode ser dissacarídeo ou polissacarídeo. Por isso, a evitar.

* aromas: chamam-se aromas a substâncias com um cheiro agradável que, por isso, são utilizadas em alguns produtos alimentares. Por exemplo, todos os fiambres da marca Nobre, tem aroma de trigo...

* excipientes: são as substâncias que existem nos medicamentos e que completam a massa ou volume especificado. A grande maioria dos medicamentos têm amido, na sua composição. Contudo, existem outros que são seguros pois usam, por exemplo, o magnésio como excipiente.

* amido modificado: um aditivo alimentar que é preparado por tratamento de fécula ou de grânulos de amido. O amido modificado é utilizado como um agente espessante, estabilizador ou emulsionante. Pode ser encontrado em produtos alimentares e em produtos farmacêuticos.

* glúten: é uma proteína que se encontra na semente de muitos cereais combinada com o amido.

* inulina: é um polissacarídeo de origem vegetal. Por não ser digerida pelas enzimas do intestino humano, é considerada como fibra alimentar insolúvel. Desta maneira, a inulina alcança o cólon onde é utilizada pela flora microbiana (nomeadamente, a bactéria Klebsiella Pneumoniae).

* celulose: é classificada com polissacarídeo ou hidrato de carbono e é um dos principais constituintes das paredes celulares das plantas.

* glicogénio: é um polissacarídeo e a principal reserva energética nas células animais, encontrado, principalmente, no fígado e nos músculos.

* gomas: é uma resina natural composta por polissacarídeos e glicoproteínas. É frequentemente usada como espessante e estabilizante para vários alimentos. Na União Europeia, quando utilizado em alimentos rotulados com o Número E, recebe o designação E-414.

* péctina: é um polissacarídeo e um dos principais componentes da parede celular das plantas. Na maioria das vezes é necessária a adição de péctina aos sumos , polpas de frutas e conservas de fruta, a fim de ajustar o seu teor para um nível adequado para que estes produtos possam geleificar.

* maizena: amido de milho (polissacarídeo).

O fiambre é daqueles casos... foi complicadíssimo encontrar um fiambre que não me provocasse inflamação e, consequentemente, uma crise. Há de tudo: fiambre com trigo, com especiarias... depois de muitos testes e experiências em mim mesma - porque o teste do amido não acusou nada! - lá encontrei um fiambre que é seguro.

Todos os restantes produtos de charcutaria - à excepção do bacon - têm especiarias... logo, têm amido.

A gelatina também pode ter trigo, glutén... ter em atenção o rótulo.

Eu só como chocolate negro porque todos os outros provoca-me inflamação devido ao leite. Mas até no chocolate negro temos que ter cuidado. O chocolate negro da Nestlé, por exemplo, é um dos chocolates a evitar a todo o custo... apesar de não conter qualquer referência a dissacarídeos ou polissacarídeos, provoca-me inflamação: logo tem que ter um destes dois açúcares que, provavelmente, estará "escondido" num dos ingredientes.

Os enlatados de frutas em calda têm todos amido (a péctina). Só os enlatados de atum e sardinha em conserva são seguros.

Cuidado com os patés! Têm todos especiarias, amido de batata, farinha... (está tudo dito, não?).

As refeições pré-preparadas e\ou congeladas não são, de modo algum, seguras, devido aos condimentos. A evitar, por isso.

O leite é um dos produtos a evitar por todos aqueles que têm problemas reumáticos. A lactose é um dissacarídeo e, por isso, é susceptível de causar inflamação. Contudo, existem pessoas a quem os lacticínios não provocam inflamação.

Os gelados podem trazer gomas, amido ou amido modificado na sua composição. Há que ter o cuidado de verificar sempre o rótulo. A sua grande maioria tem amido modificado. Existe, porém, um gelado no Lidl que é seguro (para aqueles que toleram a lactose).

Os pudins, mousses e bolos pré-preparados ou embalados prontos a comer têm todos amido, à excepção de uma marca de pudim (já foi referido no post anterior). Todos os produtos de pastelaria têm amido.

As Especiarias têm amido.

As Delícias do Mar (ou frutos do mar) também têm amido na sua composição.

O café também provoca inflamação.

Os chás, só de ervas: cidreira, camomila... os de sabores são susceptíveis de conter amido na sua composição.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

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A Dieta sem Amido... ou sem Polissacarídeos?


A dieta que seguimos não se deveria chamar Dieta sem Amido, mas sim: Dieta sem Polissacarídeos.

Não é só o amido que nos provoca inflamação. A Inulina, a Celulose e o Glicogénio também são susceptíveis de causar inflamação porque são igualmente polissacarídeos e a bactéria Klebsiella Pneumoniae alimenta-se de todos os polissacarídeos.

Há que ter em atenção, não só o amido mas como todos os restantes polissacarídeos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

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Dicas para uma Dieta sem Amido

Dieta Sem Amido pode ser considerada, por muitos, uma dieta complicada, restrita, difícil de concretizar, insalubre, pouco ou nada criativa… para outras pessoas, a ideia de seguir um regime alimentar – por si só – é um verdadeiro pesadelo. Algumas pessoas, ainda, poderão pensar que fazer dois pratos – um para si, sem amido, e outro para a restante família – é cansativo, principalmente, após um dia de trabalho…

No início, eu pensava assim. Contudo, com o passar dos dias, quando comecei a ficar cada vez melhor, pois as dores começaram a desaparecer com alguma rapidez (mas cada caso é um caso! Nada de desistir!), eu empenhei-me com toda a minha Vontade e consegui!

Consegui e descobri que, afinal, estava errada!

Criatividade, não falta! Pelo contrário! Criatividade é a palavra-chave desta dieta!

Insalubre? Nada disso! As receitas que se conseguem com os poucos ingredientes que temos podem ficar completamente divinais!

Complicada? Complicadas são as nossas dores, a incapacidade física e psicológica que a EA nos traz… Se para continuar sem dores – como me encontro neste momento – for preciso abdicar do meu pão… seja!

Difícil? Basta um pouco de paciência e muito Amor! Afinal, na cozinha, tudo é possível! Eu sempre gostei de cozinhar. Confesso, porém, que sempre detestei fazer bolos. Pão? Esse “compra-se na padaria!”… mas com o tempo, a experiência, consegui resultados bastante agradáveis.

Cansativo? Sim… sem dúvida. Mas, mais uma vez, uma questão de hábito! Afinal, quem faz um prato, faz dois!

Então, que tal tentar? Hoje! Amanhã é sempre tarde demais... como canta a canção.

As dicas surgem da minha experiência. O grau de sensibilidade ao amido, varia de pessoa para pessoa. Pelo que temos descobrir, por nós mesmos, que alimentos são ou não seguros. Não obstante, com dicas de pessoas que já seguem a dieta, torna-se tudo mais fácil! Vale a pena tentar.

Dicas

Dieta sem amido desde o primeiro dia
Eu comecei a dieta de uma forma radical. No primeiro mês, só comia carne, saladas e alguns vegetais. Só assim - penso - é que conseguimos começar a erradicar a bactéria, de uma só vez.

Nada de sopas
Pois é... mas tem que ser, uma vez que é muito difícil conseguir uma sopa, completamente, livre de amido. Mesmo que a cenoura, a abóbora e outros legumes tenham índices muito pequenos de amido, tudo junto... mais tarde... quem sabe?

Cebola e alho
Cuidado! São extremamente "dolorosos"! A Cebola e alho têm Inulina, que se trata de um Polissacarídeo idêntico ao Amido! Aliás, esta dieta deveria ser nomeada Dieta Sem Polissacarídeos, uma vez que não é só o Amido (açúcar dos cereais) que alimenta a bactéria: a Inulina (açúcar da alcachofra, cebola, alho e outros), a Dextrina (açúcar dos amidos - quando ocorre hidrólise incompleta) e a Celulose (açúcar dos vegetais, algas e resinas), são também alimento para a bactéria "responsável" pela EA e tudo o que daí advém: inflamação, dor, calcificação, incapacidade... por isso, atenção aos Polissacarídeos.

Medicamentos
Ler todas as bulas de todos os medicamentos que tomam. Eu, por exemplo, tenho uma sensibilidade tão grande ao amido que, basta um comprimido que contenha amido para ter uma crise! Na bula dos medicamentos, encontra-se um item chamado Lista de Excipientes. Aí vem indicado se o comprimido tem ou não o dito amido. Se sim, tentar junto ao seu médico, um medicamento com as mesmas propriedades, contudo com outros excipientes.

Leite e Derivados
Mas não têm Amido! É verdade! Contudo, causam uma inflamação com tamanha intensidade que as dores tornam-se insuportáveis! A Lactose (açúcar do leite) é um Dissacarídeo, tal como a Sacarose (açúcar de cana e da beterraba - o açúcar "normal") e a Maltose (açúcar do malte). Os dissacarídeos são, também, susceptíveis de causar inflamação. Mais uma vez, depende de pessoa para pessoa…

Mas como é que nós sabemos o que, realmente, nos causa inflamação?

Eu resolvi seguir o conselho de Zarkme. Depois de alcançar um estado de inflamação, praticamente, nula – ou seja, sem dores – comer muito de um ingrediente e esperar.

Por exemplo:

Não se sabe muito bem porquê, mas o arroz – que tem muito amido – não causa inflamação a alguns pacientes com EA. Quando descobri esta suposta excepção à regra, resolvi experimentar.

Confesso que estava bastante receosa! Nós estamos tão habituados à dor, que apesar de estarmos sempre com dores, só nos lembramos que elas são mesmo fortes, quando temos uma crise. Agora, quando alcançamos um estado “sem dor”… quando temos uma crise é, simplesmente, uma tortura inexplicável! Chego mesmo a perguntar-me “como é que conseguia?!”

Mas, com o apoio moral da minha família… lá veio o meu prato favorito: Arroz de Pato.

Comi bastante, tal como Zarkme aconselha, pois só assim é que sabemos se aquele ingrediente traz ou não complicações. Almoço – cheia de medo: jantar – sempre receosa… até que me esqueci. E, no dia seguinte, novamente almoço.

Afinal, sabe-se lá porquê, eu que não tolero o amido de um comprimido mínimo, tolero o amido do arroz!

(Importante: Eu só fiz esta experiência, no mês de Abril: quatro meses após o início da dieta! Só depois de alcançar um estádio em que não há - praticamente - dor nenhuma, é que se deve começar as experiências!)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

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Os Hidratos de Carbono

Também chamados de Glícidos e Açúcares, os Hidratos de Carbono são compostos ternários formados de carbono, hidrogênio e oxigênio em geral, na proporção de um carbono para dois hidrogênio para um oxigênio [C(H2O)].

Podem ser classificados em três categorias básicas: Monossacarídeos, Oligossacarídeos ou Dissacarídeos e Polissacarídeos.

Os Monossacarídeos ou açúcares simples constituem as moléculas dos hidratos de carbono, as quais são relativamente pequenas, solúveis em água e não hidrolisáveis.

A Frutose e a Galactose são Monossacarídeos.

Os Oligossacarídeos ou açúcares pequenos são hidratos de carbono constituídos por duas a dez moléculas de Monossacarídeos. Interessa-nos, aqui, apenas aqueles formados por duas unidades de monossacarídeos, também chamados Dissacarídeos.

A Sacarose e a Maltose são Dissacarídeos.

Os Polissacarídeos ou açúcares múltiplos são hidratos de carbono formados pela união de mais de dez moléculas monossacarídeas, constituindo, assim, um polímero de monossacarídeos, geralmente de hexoses. Ao contrário dos Monossacarídeos e dos Dissacarídeos, os Polissacarídeos são insolúveis em água.

O Amido, a Celulose, a Inulina, a Péctina e o Glicogénio são Polissacarídeos.

Os Hidratos de Carbono permitidos , neste regime alimentar, são os Monossacarídeos. Estes têm uma única molécula e essa estrutura permite-lhes ser facilmente absorvidos pela parede do intestino.

Os Hidratos de Carbono complexos - os Dissacarídeos (duas moléculas) e os Polissacarídeos (moléculas em cadeia) não são permitidos neste regime alimentar, porque não sendo facilmente digeridos, permanecem mais tempo no intestino.
Como sabe, existem muitas bactérias no intestino. Umas são inofensivas, outras são até benéficas… contudo, existem bactérias que são responsáveis por inúmeras doenças.

A bactéria que tanto se fala é a Klebsiella Pneumoniae.

Ora, esta bactéria alimenta-se destes Hidratos de Carbono que se encontram no nosso intestino. Com todo esse ambiente favorável, as bactérias crescem e reproduzem-se livremente. No meio de todo esse processo, dá-se a inflamação do intestino.

A dieta funciona porque retira o alimento necessário ao crescimento dessas bactérias, que acabam por "morrer à fome". Este regime alimentar permite, ainda, restabelecer o equilíbrio das bactérias benéficas no nosso intestino.

imagem: célula de amido

sábado, 10 de outubro de 2009

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Dieta Confusa? Não... trabalhosa!

Concordo quando dizem que tudo é muito confuso... eu também pensava assim. E, por isso, as crises sucediam-se porque eu estava sempre a cometer erros.

O que eu sei aprendi à custa de mim mesma. Quando entrava em crise pensava: “o que é que eu comi de errado, agora?”... então, pesquisava, fazia experiências, entrava em crise... e pesquisava novamente.

Esta semana tenho estado com uma crise tremenda... devido a mais experiências. Porque só assim é que eu descubro o que me faz mal!

As sopas estão proibidas - pelo menos para mim, já experimentei tudo, mas não consigo chegar a uma receita segura - porque nem só a batata, o arroz ou a massa têm amido. Infelizmente, quase todos os legumes têm amido: a cenoura (0,3 % de amido), a beringela (0,2)...

Alguns alimentos têm pouco amido, é certo: mas tudo junto acaba por ser amido suficiente para fazer deflagrar uma crise.

No início da minha dieta, eu insistia nas sopas. Cheguei a fazer uma “sopa” só com cenoura... não passou no teste do iodo: ficou negra!!! Resolvi comer à mesma... o resultado? Óbvio, claro.

Há outros legumes como a beterraba que têm pouco amido que me fazem mal...eu adoro sumo de beterraba!!!

Infelizmente, tive que desistir de tudo isto. Mas ganhei muitas outras coisas. Em saúde, por exemplo.

Quanto à cebola, mais uma vez aprendi às minhas custas. A cebola, tal como o alho, o tomate e os pimentos (entre outros) tem Inulina. A inulina – o açúcar das alcachofras e outras plantas - é um polissacarídeo tal como o amido.

A dieta sem amido, como uma vez já referi, deveria chamar-se Dieta Sem Polissacarídeos, já são estes que alimentam a bactéria Klebsiella Pulmonae.

A mim, basta comer qualquer alimento que tenha sido feito com cebola (por exemplo, tenha sido refogado com cebola), ou com tomate e\ou pimentos para ter uma crise muito forte. Para mim a inulina é o pior dos “amidos”.

É por isso que, apesar de ser considerados alimentos anti-inflamatórios, a cebola e o alho estão fora da lista de alimentos seguros para doentes com EA. Não obstante, existem pessoas que se dão bem com estes dois ingredientes.

Os lacticínios são, sem dúvida, alimentos que provocam inflamação. Contudo, certos pessoas toleram alguns queijos. No meu caso, posso comer uma a duas fatias de queijo por dia e um requeijão, de duas em duas semanas. Leite: eu sou viciada em leite... mas provoca mesmo muita dor, pelo que desisti de tentar.

Quanto aos chocolates: têm leite, logo provocam inflamação. Já provei vários chocolates: não querendo falar em marcas... há um que tem soja suficiente para me provocar dor; um outro tem leite em demasia, provoca-me bastante inflamação... finalmente, encontrei um que – apesar de ser chocolate de leite, não me faz mal.

Um nota importante: eu como um quadrado de chocolate por dia, de manhã...

Os bolos que fazemos na nossa dieta, livres de polissacarídeos – amido – são bastante importantes. Não usamos leite e o açúcar é tolerável, pela maior parte dos espondilíticos que eu conheço, apesar se ser um dissacarídeo.

Quem não tolera a sacarose – o tal açúcar de que estamos a falar – pode usar frutose (monossacarídeo), hidrato de carbono inofensivo ao portador de ea.

Pode-se ainda substituir estes açúcares por mel, uma excelente fonte de hidratos de carbono - que deveria ser obrigatório para quem segue a DSA.

Os hidratos de carbono são muito importantes na alimentação do ser humano. Então, se não podemos comer batatas, massas, pão... ficamos fracos, sem forças, porque não ingerimos hidratos suficientes? Não é bem assim.

Os Hidratos de Carbono permitidos, neste regime alimentar, são os Monossacarídeos. Estes têm uma única molécula e essa estrutura permite-lhes ser facilmente absorvidos pela parede do intestino.

Os Hidratos de Carbono complexos - os Dissacarídeos (duas moléculas) e os Polissacarídeos (moléculas em cadeia) não são permitidos neste regime alimentar, porque não sendo facilmente digeridos, permanecem mais tempo no intestino.

Como se sabe, existem muitas bactérias no intestino. Umas são inofensivas, outras são até benéficas… contudo, existem bactérias que são responsáveis por inúmeras doenças.

Ora, estas bactérias alimentam-se destes Hidratos de Carbono que se encontram no nosso intestino. Com todo esse ambiente favorável, as bactérias crescem e reproduzem-se livremente. No meio de todo esse processo, dá-se a inflamação do intestino.

A dieta funciona porque retira o alimento necessário ao crescimento dessas bactérias, que acabam por "morrer à fome". Este regime alimentar permite, ainda, restabelecer o equilíbrio das bactérias benéficas no nosso intestino.

No meu caso, o meu organismo tolera bem a sacarose, apesar deste ser um dissacarídeo. É tudo uma questão de testar, porque cada pessoa é única.

Quanto aos fritos... sim, eu como peito de frango panados com farinha de amêndoa fritos, mas em azeite! E só de vez em quando, porque é frito!!! É que se pode ler, na receita que partilhei no tópico das receitas.

Eu não costumo comer fritos. A minha alimentação quando não é cozida, é grelhada. Contudo, às vezes permito-me um miminho, como é o caso dos peitinhos de frango. E quando isso acontece é sempre em azeite, considerado uma das gorduras mais saudáveis por ser rico em ácidos gordos – excelente alimento anti-inflamatório!

É verdade que nos sites de nutrição, o açúcar, os chocolates, a manteiga são alimentos considerados pouco ou nada saudáveis. Esquecem contudo de referir os perigos da ingestão de hidratos de carbono complexos – polissacarídeos – que hoje, após muitos anos de pesquisa – estão relacionados com doenças como a Diabetes, a Doença De Cronh, a Doença Celíca e tantas outras.

Carol Sinclair, no seu livro The IBS Low-Starch Diet, explica a tudo o que está por de trás da campanha dos cereais...

Eu comecei este regime alimentar há 1 ano e 1 mês. Trabalho cerca de dez horas por dia, com crianças - como devem calcular, é preciso muita energia para lidar com crianças . Quando chego a casa, ainda tenho que fazer o jantar, arrumar o que está desarumado – coisas que nós mulheres sabemos o que é - e, ainda faço os meus alongamentos: aqueles obrigatórios para um doente com ea...

Digo isto para dizer que eu consigo retirar a energia que necessito do mel e outras fontes de hidratos de carbono simples.

Se a DSA é fácil? Continuo a dizer que não. Não obstante, continuo a afirmar que não é impossível.

Perdi muito peso... mas estava obesa e a um passo da diabetes tipo II. A minha médica de família, quando me viu, disse-me que eu estava muito bem, afinal alguns meses antes eu parecia uma “baleia” – palavras dela.

Os índices de colesterol e triglicéridos desceram. A minha obstipação crónica desapareceu e nunca mais tive rectorragias (hemorragias via anal). A minha hipertensão arterial – diagnosticada aos 20 anos, cerca de 15 anos atrás), estabilizou. A gastrite já não aparece na endoscopia e a fibromialgia só aparece muito de vez enquando e a fadiga crónica... já nem sei o que é isso.

Coincidências? Talvez não.

É tudo muito confuso, eu sei. Confesso que muitas vezes só me apetece desistir de tudo, fugir... mas, é só por breves instantes. Porque só eu sei como estive e como eu estou agora. Pelo que vale a pena.

Continuo com muitas dúvidas... tantas... mas procuro até encontrar! E se não encontro, testo em mim!

Neste momento estou a recuperar de uma crise de EA e FM... estive a experimentar pimentos e não aconselho ...

Um exemplo interessante: uma conhecida minha pode comer fruta!!! E eu não!!! A fruta não tem amido se for colhida já madura. Ora, infelizmente, em Lisboa toda a fruta que eu compro tem amido porque é apanhada ainda verde. O amido que esta tem é muito pouco: mas é o suficiente para desencadear uma crise!

Cada caso é uma caso... cada pessoa é um indivíduo. O que é certo em mim, poderá não ser verdade numa outra pessoa. Por isso, é que esta dieta tem de ser testada. Dá um pouquinho de trabalho... mas vale a pena.

Um nutricionista é, sem dúvida, o ideal. Mas, por certo encontraremos uns que vão estar a favor e outros contra.

Vejamos o caso do leite, por exemplo. Campanhas e alguns médicos aconselham-nos a beber três copos por dia para prevenir a osteoporose. Por outro lado, temos médicos que, baseando-se em pesquisas ciêntíficas, que nos alertam para o perigo do leite...

No que é ficamos? Penso que fica ao critério de cada um... eu bebia cerca de um litra de leite por dia – durante mais ou menos 33 anos – e tenho Osteoporose no colo do fémur e Osteopenia nas vértebras L5 e S1. A minha mãe, tão viciada em leite como eu, foi-lhe diagnosticada osteoporose avançada...

Dos alimentos permitidos pela DSA, existem muitos que não são muito aconselhados, eu sei disso. Contudo, também sei que, se a nossa dieta for o mais equilibrara possível, nada me faz mal. Pelo menos, é que os meus exames clínicos afirmam...

Este regime alimentar é muito complexo, sim. Contudo, não quis deixar de tentar. A minha vida era uma autêntica tortura crónica, dia e noite... eu tinha de tentar! E ainda bem que o fiz!

Eu não acreditei, de imediato, em tudo o que lia... que uma simples dieta era a resposta! Eu disse ao meu marido que, “se assim fosse, não havia EA em lado nenhum”!

Ele insistiu que se resultou com ele – que curou a Doença de Cronh com uma outra dieta– porque não dar uma hipótese?

E aqui estou eu...

Algum dia chegarão todos a um consenso no que diz respeito à dieta sem amido? Não sei... e também não me interessa muito.

A minha EA está estável e as minhas análises estão normais, tenho energia mais que suficiente para viver e trabalhar... e com a ajuda de alguns suplementos alimentares, eu espero continuar com esta dieta para o resto da minha vida.

Só gostaria de esclarecer que a minha alimentação não se limita a bolos, chocolate e uma fatia de queijo por dia.

Eu costumo comer pratos normais com peixe, vegetais como os grelos, bróculos, couve lombarda ou espinafres - daqui só retirei a batata; pratos de carne com frango ou perú, sempre gralhados com saladas o mais variadas possíveis.

Quanto aos bolos e pudins, costumo comer mais ao fim-de-semana, depois quem os acaba costuma ser o meu marido e as minhas manas... eles adoram esta parte da minha dieta!

Às vezes, confesso, sinto "fome" de outras coisas: pão, massas, arroz - afinal, eu já fui muito gordinha. Não foi fácil lidar com este vício que eu tinha por hidratos de carbono complexos. Mas, aos poucos, estou a lidar com a situação.

Aliás, as minha depressões e as minhas recaídas - ea - têm muito a ver com este assunto, é como se eu estivesse a fazer uma desintoxicação tal como um adito de uma outra droga qualquer. Porque nem só de drogas duras um pessoa pode ficar adita.

O caminho da vida tem pedras... eu irei fazer um castelo com elas! Como Fernando Pessoa era tão sábio...